Marquês de Sapucaí: 41 anos de história no Carnaval

Crédito: Reprodução/Relatório A ERA SAMBÓDROMO

No carnaval de 2025, a Marquês de Sapucaí, projetada pelo eterno arquiteto Oscar Niemeyer, completa 41 anos de existência. Veja como foi o projeto, a construção e as campeãs dessa nova era do carnaval carioca.

Crédito: Reprodução/Relatório A ERA SAMBÓDROMO

Antes da construção do Sambódromo, o desfile das escolas de samba ocupou diferentes ruas da cidade, passando pela Praça Onze, Campo de Santana, e Avenida Rio Branco. Esta avenida abrigou o espetáculo até 1962, quando o desfile foi transferido para a Presidente Vargas.

Crédito: Reprodução/Relatório A ERA SAMBÓDROMO

Somente em 1973, o desfile foi transferido para a Avenida Antônio Carlos no sentido Praça XV – Avenida Beira-Mar. Em 1976, as arquibancadas foram montadas sobre o Mangue, na Avenida Presidente Vargas. Dois anos depois, o desfile foi, enfim, transferido para a Rua Marquês de Sapucaí, com a montagem improvisada das arquibancadas, o que justificava a necessidade da criação de um palco à altura da festa.

Crédito: Reprodução/Relatório A ERA SAMBÓDROMO

O Sambódromo da Marquês de Sapucaí foi idealizado por Oscar Niemeyer e implantado durante o primeiro governo fluminense de Leonel Brizola (1983-1987). O intuito era dotar a cidade de um equipamento urbano permanente para a exibição do tradicional espetáculo do desfile das escolas de samba.

Crédito: Reprodução/Youtube

A obra durou 120 dias e foi coordenada pelo engenheiro José Carlos Sussekind e pelo arquiteto João Otávio Brizola, segundo dos três filhos de Leonel. Inaugurada em 1984, com o nome oficial de "Avenida dos Desfiles", marcou o início do sistema de desfiles das escolas de samba em duas noites, ao invés de em apenas uma noite, como era costume até então.

Crédito: Reprodução/Relatório A ERA SAMBÓDROMO

Posteriormente, seu nome oficial mudou para "Passarela do Samba" e, finalmente, a partir de 18 de fevereiro de 1987, passou a ser "Passarela Professor Darcy Ribeiro", Foi uma forma de homenagem ao principal mentor da obra, o antropólogo Darcy Ribeiro.

Crédito: Reprodução/Oscar Niemeyer

Darcy Ribeiro, portanto, é tido como um dos principais articuladores da construção da passarela do samba. Ele teria incentivado a ideia de uma parte mais larga, em forma de praça, cercada por arquibancadas ao final da passarela, assim como o nome "Praça da Apoteose".

Crédito: Ben Tavener/Wikimédia Commons

A obra, porém, é mais conhecida como "Sambódromo", que foi um termo cunhado pelo próprio Darcy Ribeiro. Ele foi construído a partir da junção de "samba" com o sufixo de origem grega "dromo", que significa "corrida, lugar para correr".

Crédito: Reprodução/Oscar Niemeyer

Sua estrutura, em peças pré-moldadas de concreto, mede cerca de 700 metros de comprimento. Desde a marcação do início até o final, a pista mede cerca de 560 metros de comprimento e 13 metros de largura e sua capacidade é de aproximadamente 60 mil espectadores.

Crédito: Reprodução/Oscar Niemeyer

A inauguração aconteceu no carnaval de 1984. Em 2 de março, coube ao Império do Marangá, escola de Jacarepaguá, inaugurar o Sambódromo em um desfile oficial, na disputa do Grupo 1-B. A agremiação atrasou em 45 minutos, não recebendo os cinco pontos referentes à Concentração e foi rebaixada.

Crédito: Reprodução/Ambev

Em 2012, um acordo permitiu a demolição da antiga fábrica de cerveja vizinha à passarela, para a construção de quatro novos blocos de arquibancada no setor par (2, 4, 6 e 8). Na sexta-feira de carnaval, com as escolas de acesso já desfilando, ainda havia serviços em andamento.

Crédito: Divulgação Riotur

Com a modernização das transmissões dos desfiles, a torre de TV próxima à Praça da Apoteose tornou-se desnecessária, além de um obstáculo para alegorias cada vez mais altas. Ela, então, foi derrubada.

Crédito: Diego Baravelli /Wikimédia Commons

Na Praça da Apoteose, existe um grande arco parabólico de concreto com um pendente ao centro. Este arco se tornou um símbolo do sambódromo do Rio e mais um ícone arquitetônico criado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

Crédito: Divulgação Riotur

A ideia era criar um espaço na extremidade final da passarela, onde ao final do desfile as escolas de samba e seus participantes atingiriam o esplendor. A dispersão seria o momento de consagração do desfile, com uma festa monumental e gloriosa.

Crédito: Divulgação Riotur

A Rede Globo, que transmitia os desfiles até então, se recusou a cobrir a festa em 1984 por não concordar com a divisão dos desfiles do grupo principal em dois dias. A TV Manchete, então, fez a transmissão do evento.

Crédito: Riotur

Com a cobertura dos desfiles, a emissora de Adolpho Bloch ganhou da Globo em audiência, algo inédito para aquele momento. No ano seguinte, a emissora de Roberto Marinho voltou a transmitir o Carnaval. E permanece até hoje.

Crédito: divulgação Riotur

Desde 2021, o Sambódromo é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Além disso, já foi palco de diversos shows de artistas brasileiros e internacionais. 

Crédito: Flickr/Veronica Nogueira Nunes

Em janeiro, a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) organiza os ensaios técnicos na Sapucaí. Com isso, as agremiações têm contato direto com o público, já que o evento é gratuito e faz um teste antes do desfile oficial. As agremiações da Série Ouro, segunda divisão do carnaval carioca, também realizam um ensaio no Sambódromo antes do carnaval.

Crédito: divulgação Riotur

Na reta final dos ensaios técnicos tradicionalmente, acontece a lavagem do Sambódromo. Bem perto do Carnaval, o ritual é realizado por baianas das escolas de samba que lavam a Avenida com ervas, água de cheiro e água benta. A ideia é abrir os caminhos para os desfiles e trazer sorte e vibrações positivas para as agremiações

Crédito: Riotur/Alexandre Macieira

Na estreia do Sambódromo, ficou definido no regulamento, que o carnaval teria uma campeã de cada dia e que na outra semana, uma das duas ficaria com a alcunha de supercampeã. A Portela homenageou três importantes personalidades de sua história: Paulo da Portela, Natal da Portela e Clara Nunes e ficou com um dos títulos.

Crédito: Wikimedia Commons/Armando Borges

No outro dia, a Mangueira ficou com o título ao homenagear o compositor Braguinha. Campeã do desfile de segunda-feira, a verde e rosa conquistou seu décimo quarto título ao sagrar-se também supercampeã. Campeã do desfile de domingo, a Portela ficou em segundo lugar com dois pontos de diferença para a escola da zona norte.

Crédito: Flickr/Anibal Philot