Campeã de 2024, Viradouro ganhou 10 em tudo: Conheça os quesitos do Carnaval do Rio

Crédito: Divulgação Viradouro

A Viradouro foi a campeã do carnaval 2024 do Grupo Especial das escolas de samba do Rio com nota 10 em todos os quesitos, no balanço das notas válidas.

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Entenda quais são os quesitos avaliados pelos jurados. Nos carnavais da última década, a Liesa optou pelo fim do quesito conjunto. Desde então, são nove: enredo, samba, fantasia, alegorias e adereços, harmonia, evolução, mestre sala e porta-bandeira, bateria e comissão de frente.

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Cada jurado fica encarregado de apenas um quesito e não pode dar a nota influenciado por outras partes do desfile. Apesar de ser um julgamento de expressões artísticas, o trabalho tem que ser imparcial e isento de emoções, com um distanciamento das reações do público e dos comentaristas e especialistas.

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Diante disso, os 36 jurados são distribuídos em três cabines diferentes, sendo que uma delas é dupla. A primeira (dupla) fica no setor 3, enquanto a outra no setor 6 e, por fim, mais uma no setor 10 da Sapucaí.

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Horas antes da Apuração, na quarta-feira de cinzas, a Liesa sorteia a ordem dos quesitos, algo que conta para o desempate. Caso duas escolas terminem empatadas no número de pontos, o desempate começa pelo último quesito (este ano foi Fantasias). Permanecendo o empate, conta o penúltimo. E assim por diante.

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A Liesa dó admite empate no primeiro lugar, caso haja igualdade em todos os quesitos. Este ano, mais uma vez, a pior nota foi descartada. Apenas três das quatro foram contadas na pontuação final.

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Cada Julgador concedeu a cada Escola de Samba notas de 9,0 (nove) a 10 (dez) pontos. As seis primeiras escolas voltam ao Sábado das Campeãs, enquanto a última colocada é rebaixada (em 2024, a Porto da Pedra caiu). Apenas uma escola sobe da Série Ouro para o Grupo Especial (em 2024 a Unidos de Padre Miguel venceu a Série Ouro). As notas chegaram em um carro-forte no dia da Apuração.

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O tempo de desfile de cada escola é de, no mínimo, 60 (sessenta) minutos e, no máximo, 70 (setenta) minutos. A concentração é sempre na Avenida Presidente Vargas, na pista central que margeia o Canal do Mangue. Nenhuma escola foi punida com erros relativos às obrigatoriedades do desfile.

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Cada Escola de Samba é obrigada a fazer a dispersão de suas alegorias, ultrapassando a faixa demarcatória no final da dispersão, no tempo máximo de duas horas e vinte minutos, contados a partir do efetivo início de seu desfile. Se estourar, a multa varia conforme o atraso: R$ 45 mil nos primeiros cinco minutos; R$ 75 mil do sexto ao 15º minuto; R$ 120 mil por mais de 15 minutos.

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As Escolas de Samba que não retirarem suas Alegorias da Área de Dispersão (Artigo 23), dentro do tempo fixado, são multadas. Em 2025, o valor é de R$ 80 mil. Se as alegorias não tiverem ganchos específicos para a remoção a multa chega a R$ 150 mil.

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As agremiações devem impedir a apresentação de pessoas que estejam com a genitália à mostra, mesmo que esteja decorada. Não podem também permitir a utilização de instrumentos musicais de sopro ou de qualquer outro artifício que emita sons similares, em sua bateria. E não pode ter homem na ala das baianas.

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As escolas devem desfilar com, no mínimo 200 ritmistas e 60 baianas agrupadas. Qualquer agremiação que ultrapassasse o tempo máximo ou finalizasse abaixo do tempo mínimo perde um décimo por minuto. Além disso, aquelas que apresentassem menos de 4 ou mais de 6 alegorias em desfile perdem meio ponto.

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A multa mais alta, de R$ 250 mil, será cobrada da agremiação que ultrapassar o limite máximo de 30 componentes vestindo camisetas ou trajes próprios da diretoria à frente da escola.

Crédito: Reprodução/Facebook Tantos Carnavais

No quesito Bateria, os jurados levam em conta a manutenção e sustentação da cadência com o samba-enredo. Além disso, buscam avaliar se o grupo de ritmista conseguiu manter a “perfeita conjugação de sons” dos instrumentos, a criatividade e a versatilidade.

Crédito: Tata Barreto | Riotur

Por outro lado, devem ser desconsideradas possíveis panes no sistema de som, a utilização de instrumentos. O julgador deve perceber se as bossas e paradinhas foram bem executadas, se a bateria não atravessou, provocando o desentrosamento entre ritmo e canto.

Crédito: Tata Barreto | Riotur

No quesito Samba-Enredo, os jurados avaliam a letra e a melodia, levando em conta a riqueza poética, a beleza e o bom gosto. Além disso, procuram identificar a capacidade da harmonia musical de facilitar o canto e a dança dos componentes.

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O samba-enredo é responsável por potencializar outros quesitos, caso tenha beleza e facilite o andamento e o canto do intérprete. Ele também deve estar adequado ao que for apresentado no enredo e tentar fugir do lugar comum, tendo riqueza melódica e "rimas ricas".

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O quesito Harmonia analisa o entrosamento entre o ritmo e o canto. Ele traz à tona a importância da igualdade do canto pelos componentes em consonância com o puxador e a manutenção da tonalidade. Com isso, o jurado tira ponto de alas que não estão cantando ou em caso de irregularidade do canto ao longo da escola.

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Além disso, esse quesito tem levado em conta a harmonia entre o carro de som e a bateria. Qualquer desencontro pode fazer com que a agremiação deixe décimos pelo caminho e fique mais distante do título. Muitas contratam cantores de apoio e diretores musicais para ajudar o intérprete oficial.

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No quesito evolução os jurados avaliam se a dança está de acordo com o ritmo do samba executado pela bateria. Eles também analisam a fluência da escola na avenida. Não podendo ficar muito tempo parada ou apressar o passo para não estourar o tempo.

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O desfile não pode apresentar os famosos buracos entre as alas (grandes espaços que afeta o conjunto e homogeneidade da escola). Os jurados também devem observar a espontaneidade, criatividade e empolgação dos componentes, que devem evoluir com alegria e leveza, brincando o Carnaval.

Crédito: Ismar Ingber | Riotur

O quesito Enredo é referente à criação e apresentação artística do tema ou conceito escolhido pela escola de samba. O julgador deve analisar como foi a abordagem, contada em alegorias e fantasias, de forma linerar na avenida.

Crédito: Diego Mendes/Riotur

Os jurados devem analisar o entendimento do tema, ou seja, se o carnavalesco conseguiu passar a mensagem de forma coesa, coerente e de fácil leitura também para o público. Antes do desfile, o livro Abre-Alas mostra todo o projeto para o jurado desde os croquis até a sinopse do enredo e a explicação de cada setor - organograma.

Crédito: Diego Mendes/Riotur

O quesito Alegorias e Adereços engloba os elementos cenográficos sobre rodas ou não, que devem ser julgados de acordo com a concepção e adequação ao tema. Os jurados analisam se o que foi apresentado está de acordo com o livro "Abre-alas" e se está coerente com a pesquisa exposta.

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Um elemento fora do lugar ou que não tenha coerência pode fazer com que a escola perca décimos. A parte estética também é analisada, visto que os acabamentos, cuidado com a confecção e decoração são levados em conta.

Crédito: Diego Mendes/Riotur

O quesito Fantasia julga a adequação das vestimentas dos componentes ao tema proposto em cada ala. O jurado analisa, também, a uniformidade dos detalhes entre os componentes e, assim como as alegorias, se estão de acordo com o enredo, de forma coerente.

Crédito: Alexandre Macieira | Riotur

Qualquer problema de acabamento na confecção dos croquis faz que a agremiação possa perder décimos. As fantasias têm que passar inteiras, de acordo com os desenhos, com bons materiais e qualidade estética.

Crédito: Alexandre Macieira | Riotur

A Comissão de Frente é julgada de acordo com a concepção e a capacidade de causar impacto em sua função de saudar o público e apresentar a escola na avenida. Ao longo da história do Carnaval, foi o quesito que mais evoluiu, passando de uma apresentação simples da Velha Guarda para truques de mágica e o uso de tripés.

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Os jurados devem levar em conta a coordenação, o sincronismo e a criatividade. É obrigatória a apresentação em frente às cabines de julgamento, para que ele possa avaliar a dança, a coreografia, a coerência com o enredo e interação com os elementos.

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Por fim, o quesito referente ao casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira é avaliado quanto à adequação da roupa para a dança. Além disso, os jurados procuram identificar beleza e bom gosto. A fantasia deve estar de acordo com o enredo é adequada para que o casal possa fazer sua dança com fluidez e leveza.

Crédito: Alex Ferro | Riotur

Os jurados devem observar o bailado, que deve ser no ritmo do samba, com graça, leveza e harmonia entre o casal. Muitos deles estão arriscando algumas coreografias referentes ao enredo, mas sem perder a concepção do quesito, de guardar e apresentar o pavilhão da escola. Erros na dança, assim como deixar enrolar a bandeira no giro podem tirar décimos importantes.

Crédito: Gabriel Monteiro | Riotur