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MP e Polícia investigam esquema de resgate de carros roubados no Rio
Em entrevista à Tupi, promotor revela esquema em que associações de proteção veicular negociam com criminosos para recuperar veículos roubados
Um esquema criminoso envolvendo associações de proteção veicular e traficantes para a recuperação de carros roubados está sendo investigado pelo Ministério Público (MP) e pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Em entrevista aos jornalistas Sidney Rezende, Chico Otávio e Marcelo Madureira na edição desta quarta-feira (26) do Jornal da Tupi, o promotor de justiça Bruno Gangone revelou detalhes da operação, que tem facilitado o aumento dos roubos na Baixada Fluminense e na Zona Norte do Rio.
Segundo Gangone, em vez de pagar a indenização integral aos clientes, algumas associações de proteção veicular negociam diretamente com criminosos para reaver os veículos. O esquema prevê o pagamento de 10% do valor de mercado do carro, conforme a Tabela Fipe, sendo que 70% desse montante fica com traficantes e 30% com os assaltantes. Assim, os ladrões não precisam mais desmanchar ou revender os carros, apenas aguardam o contato das associações dentro de comunidades dominadas pelo crime organizado.
Dois casos recentes confirmaram a existência do esquema. Em Nova Iguaçu, uma vítima entrou em luta corporal com um criminoso ao ter sua moto roubada. Ferido e preso, o assaltante revelou que só receberia o pagamento quando o “seguro” fosse quitado – um termo que, segundo os investigadores, faz referência às associações de proteção veicular. Em outro episódio na Pavuna, um suspeito confessou que o mesmo sistema de resgate era praticado por traficantes do Complexo do Chapadão.
Alguns dados reforçam a gravidade da situação. Em Belford Roxo, o número de veículos recuperados cresceu 117% no último ano, um aumento desproporcional que evidencia a atuação dessas associações. Gangone explicou que há suspeita de envolvimento de agentes públicos na ação criminosa e que as investigações já foram encaminhadas à Polícia Civil para a identificação dos envolvidos e desarticulação da rede criminosa.
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