Mundo Corporativo
Soluções japonesas favorecem a sustentabilidade
Tecnologias e tradições nipônicas apresentam formas de lidar melhor com a preservação ambiental
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Em 1988, quando foi realizada a primeira conferência com líderes políticos e cientistas para discutir as mudanças climáticas e possíveis soluções para frear o aquecimento global, diversos países se comprometeram a implementar melhorias. Porém, foi apenas na 3ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em 1997, que o Protocolo de Quioto foi assinado por 84 países, sinalizando o compromisso na redução das emissões de gás carbônico (CO₂) na atmosfera, principal componente do efeito estufa.
O Japão, país onde a conferência de 1997 foi realizada, passou a investir cada vez mais em soluções sustentáveis e implementar mudanças sociais, se tornando um importante polo na redução das emissões de CO₂. A consciência sobre a importância do não desperdício é um conceito intrínseco à cultura japonesa, especialmente ligada à filosofia “mottainai”, ideal derivado do Budismo, tornando a responsabilidade com o meio ambiente e com as futuras gerações uma preocupação diária e coletiva.
A ampliação da indústria da reciclagem foi uma das políticas adotadas pelo Japão. As coletas seletivas específicas para cada tipo de resíduo, implementada desde a criação da Lei da Reciclagem de Embalagens em 1977, teve suas ações aprofundadas a partir da segunda metade da década de 1990, como parte dos esforços para reduzir o volume de resíduos em aterros sanitários e a queima de lixo, que resulta na poluição atmosférica. Dessa maneira, a iniciativa fez com que a porcentagem de lixo reciclado crescesse 250% em 15 anos (entre 1995 e 2010), de acordo com dados divulgados pelo Valor Econômico, se tornando um exemplo ambientalista no mundo.
Pensando no uso de utensílios que podem substituir o plástico e contribuir com essa redução na geração de lixo, a marca Wasara cria louças descartáveis, compostáveis e não nocivas para o meio ambiente, a partir de partes do bambu e da cana-de-açúcar – completando o ciclo de produção ao retornar para o solo por ser biodegradável.
No universo da moda, a “sustentabilidade fashion” tem se tornado uma preocupação crescente, especialmente com o modo de consumo rápido fomentado pelas tendências das redes sociais. Assim, diversas marcas têm investido tanto em técnicas tradicionais como em métodos inovadores de tingimentos naturais, como é o caso da “Japan Blue Jeans”, marca conhecida mundialmente pela qualidade dos tingimentos produzidos com a técnica “aizome”, um processo de tingimento natural milenar japonês feito com a planta índigo. Já a A-POC ABLE ISSEY MIYAKE criou, em 2023, a “Type I – MM Project”, uma linha de roupas que utiliza um fio desenvolvido em parceria com o grupo Sony, a partir da casca de arroz.
Uma das criações com grandes expectativas para a implementação no setor de construção civil é o SHELLMET, capacete utilizado como EPI, produzido a partir dos resíduos de conchas de vieiras da região de Hokkaido. O projeto foi capaz de criar um novo material resistente, que alia o processamento das conchas ao bioplástico, e hoje já é utilizado pelos pescadores da região.
Os “tijolos verdes” feitos a partir de concreto reciclado e gás carbônico, recursos antes descartados por indústrias e fábricas, que foram chamados de “Calcium Carbonate Circulation System for Construction” (sistema para construções de carbonato de cálcio em circulação, em tradução livre), também são um dos componentes que tem se mostrado promissor para as construções.
Alguns dos itens, como as louças da Wasara, o SHELLMET e as peças do projeto Type I – MM Project, podem ser vistos de perto pelos brasileiros na exposição “Princípios Japoneses: Design e Recursos” em cartaz na Japan House São Paulo até 4 de maio. Apresentando 16 soluções sustentáveis japonesas que favorecem a reutilização de materiais e o pleno aproveitamento de recursos em diferentes áreas, a exposição ainda traz uma construção criada pelo artesão Ikuya Sagara utilizando a técnica milenar “kayabuki”, que utiliza palha de arroz para criar telhados tradicionais. Pensando em minimizar a pegada de carbono e a poluição gerada pela importação dos materiais, Ikuya Sagara substituiu, a pedido da Japan House São Paulo, os materiais tradicionais pelo junco, planta cultivadas por famílias nipônicas na cidade de Registro, interior de São Paulo, aplicando o conceito da reutilização e aproveitamento de um material local.
Em níveis mais avançados, a cidade verde e inteligente de Fujisawa, inaugurada em 2014, é um resultado da parceria da Panasonic com outras sete empresas japonesas e norte-americanas. Com abastecimento de energia gerado por fontes renováveis, como painéis solares, o incentivo à utilização de bicicletas ou veículos elétricos para a locomoção, e soluções sustentáveis integradas em toda a cidade. Hoje, os 180 mil metros quadrados da cidade são um dos principais exemplos de um futuro mais sustentável possível, proposto pela cultura e tecnologias japonesas.
Serviço:
Exposição “Princípios Japoneses: Design e Recursos”
Endereço: Japan House São Paulo – Avenida Paulista, 52 – São Paulo, SP
Horário de funcionamento: de terça a sexta, das 10h às 18h e sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h.
Entrada gratuita. Reserva on-line (opcional) no link.
Mais informações no site.
Website: https://www.japanhousesp.com.br/exposicao/principios-japoneses-design-e-recursos/
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