Últimas Notícias
‘Espancado enquanto tomavam cerveja’: julgamento do caso Moïse se aproxima
Em entrevista à Tupi, advogado da família critica impunidade e espera condenação dos réus
“Foi uma barbárie e eles devem pagar por isso.” A declaração do advogado Rodrigo Mondego, representante da família de Moïse Kabagambe, resume a expectativa pelo julgamento dos acusados pela morte do congolês, marcado para 13 de março no Primeiro Tribunal do Júri da capital. Em entrevista ao Jornal da Tupi nesta quinta-feira (27), Mondego destacou a brutalidade do crime, a omissão de testemunhas e a impunidade que incentiva a violência.
Moïse foi espancado até a morte em janeiro de 2022, após cobrar dois dias de pagamento atrasado em um quiosque na Barra da Tijuca. As agressões duraram cerca de 15 minutos e foram registradas por câmeras de segurança. Fábio Pirineus da Silva e Alisson Cristiano de Oliveira Fonseca responderão por homicídio qualificado, enquanto o terceiro acusado, Brandon Alexander Luiz da Silva, teve o processo desmembrado após sua defesa recorrer da sentença de pronúncia.
Para Rodrigo Mondego, a principal prova do caso é um vídeo que mostra Moïse sendo amarrado e agredido com pedaços de madeira e um taco de beisebol, mesmo já estando rendido. “Pessoas passaram por ali, estavam tomando cerveja enquanto ele era massacrado no chão”, ressaltou o advogado, criticando a omissão dos presentes. Três pessoas ainda respondem na Justiça por omissão de socorro, mas Mondego acredita que mais envolvidos deveriam ser responsabilizados.
Ao abordar um possível contexto racista no crime, ele destacou: “Se fosse um alemão branco sendo espancado, alguém teria tentado impedir. Moïse era um congolês negro e ninguém fez nada.” No entanto, o advogado explicou que a legislação atual não prevê o racismo como agravante no caso.
Mondego também apontou a impunidade como fator que contribui para a banalização da violência no Rio de Janeiro. “É mais fácil prender alguém com três trouxinhas de maconha do que quem matou três pessoas”, criticou, citando que 77% dos homicídios no estado não são solucionados pela Polícia Civil.
A família de Moïse, que chegou a sofrer ameaças, administra atualmente um quiosque no Parque Madureira, oferecido pela Prefeitura do Rio e pela concessionária Orla Rio. Apesar do sucesso do empreendimento, os familiares seguem inseguros. “Eles não se sentem protegidos, mas têm que tocar a vida”, concluiu o advogado.
O julgamento dos acusados é aguardado com expectativa por movimentos sociais e pela defesa, que cobra justiça pelo crime brutal.
