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Decreto de Milei chama pessoas com deficiência de ‘idiota, imbecil e débil mental’
Documento causou polêmica ao usar expressões ultrapassadas para definir beneficiários de pensões por incapacidadeO governo de Javier Milei, na Argentina, gerou polêmica ao publicar um decreto que estabelece critérios para a concessão de benefícios estatais a pessoas com deficiência. No anexo do documento, a Agência Nacional de Deficiência (ANDis) utilizou termos considerados discriminatórios e obsoletos para classificar indivíduos com deficiência intelectual.
A medida visa fixar diretrizes para evitar fraudes, garantindo que apenas pessoas com incapacidade comprovada recebam a assistência estatal. No entanto, especialistas e organizações criticam a linguagem utilizada, que reforça estigmas e vai contra normas internacionais de respeito à dignidade das pessoas com deficiência.
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Quais são os termos controversos utilizados no decreto?
O anexo do decreto inclui uma classificação de deficiência intelectual baseada no coeficiente intelectual (CI), utilizando termos como “idiota”, “imbécil” e “débil mental”. Estes termos, que já foram amplamente utilizados em contextos médicos e legais no passado, são agora considerados ofensivos e inadequados. A classificação divide-se em categorias como “idiota” para CI entre 0-30, “imbécil” para CI entre 30-50, e várias outras designações para níveis de CI superiores.
Veja o documento:
Além disso, o documento especifica que apenas aqueles classificados como “débil mental profundo” ou com deficiência mais grave têm direito a pensão. Essa abordagem tem sido criticada por não considerar adequadamente as complexidades individuais e as capacidades das pessoas com deficiência.
Como a sociedade civil reagiu a essa normativa?
A Associação Civil pela Igualdade e Justiça (ACIJ) e outras entidades apresentaram reclamações ao governo, exigindo a revogação do decreto. Segundo Eduardo Quiroga, advogado da ACIJ, “as expressões usadas reforçam a discriminação histórica e violam a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência”.
Já Gabriela Troiano, presidente da Rede pelos Direitos das Pessoas com Deficiência (REDI), classificou o documento como “um ato de violência institucional sem precedentes”. Ela enfatizou que a terminologia empregada “denigre e desrespeita” as pessoas com deficiência.
A controvérsia gerou forte repercussão e pressiona o governo Milei a revisar a regulamentação.